para Petra Schwarz
Agora ela dorme, a pedra negra,
dentro, cada vez mais, num cadafalso fogo,
calcificada, ficada falsa em seu oculto magma,
onde cada bala cala o estrobo mundo, e floresce
um jardim de pétreo ritmo, a rir em estelar istmo – mas
quando é que se pode atingir o que se quer com a palavra?
Nenhum som: verão cego de toda torrente suicida,
carnaval de olhos rasgados na areia preta, como se
cem mil cadernos jogados para o ar no último dia do ano
fossem então falas desgovernadas de formigas
e meus, fossem todos os caracteres tatuados de sua pele,
neste deserto onde pássaros usam microfones e sabem a fundo
a dinâmica dos biquínis abrindo-se em línguas, lâminas, limos –
sedadas sedas sugam a pedra da água.
Velo seu sono e novelo o absurdo que a espelha
pois o gesto deve ser único para ser sagrado:
pedra em cheio, pedra lavrada, pedra a pino,
dos sonhos, toda interpretação
se faz sob seu silêncio.