Soneto em espiral
[. Por que isso – um parafuso espanado?
imagem tola, a que não se louva e que
não ilumina, de objeto abjeto, contato
sem cola; ego cego, sem nem porquê;
premido aqui pra dentro da parede –
num tijolo raro, corroído, morada
de bichos rudes –, as espirais tentam
agarrar-se, mas lisas, com nojo e raiva,
girando falso – carne-esponja que retém
ferramenta, ferro e fenda a um só rangir;
de fora vêm mil empurrões, vãos, porém:
fora o mundo é falso feito o escondido
e na vertigem desta fé vil me convém
girangirar até outro lado] o céu perdido