A cor é só um triz
Com um estilete
no pulso tatuou a reta pontilhada do gesto
sutil desenhou uma tesourinha
antes de tudo apontou todos os seus lápis coloridos
os usou em um bilhete em que se declarava tão feliz
e explicava que precisava ficar só para saber quem era
e fazia severas recomendações às futuras gerações
e espiou pelas janelas as nuvens algodão-doce
quando começou a tempestade
ela se despiu para as últimas águas de seu corpo
toda nua saiu no meio da rua
fechou os olhos e esperou pelo momento
mas a tinta nos cabelos se desvanecia
a linha pontilhada se apagava
o estilete perdia o fio
e ela voltou à casa
para espiar mais uma vez os lápis
os matizes dos lápis