O homem do realejo
Sou o homem do realejo.
Sangue correndo azulejo.
Trago música, circo,
assuntos, amuletos.
Sou um homem da realeza,
fidalgo do celestial varejo,
gentil, a anunciar o custo
de viver sem direito a susto.
[Será possível ao vulgo
esquecer o alto preço
de sem prazer ou prazo
somente viver por acaso?]
Tendo por patrão este jogo
invencível, despeço-me com
vossa cota de fortuna, pressuroso
do que me reservará um dia o bico de
Deus – este imaturo e estúpido periquito.