O crime
Embrulhei a feia vergonha no pacote
dentro de uma caixa amarrada em barbante de marinheiro.
De venda negra nos olhos rodo a cidade
em um carro sem janelas, cujo motorista mato
e com uma pá cega vou cavando a terra até de manhã.
Deposito com cuidado no abismo a caixa,
o motorista, o carro, e então, de volta, toda a terra.
Quando tiro a venda, vejo:
estou em casa, onde todos me conhecem.