Mistérios gasosos


Cruzando a rota segura existem secretos trajetos.
Atalhos, esquivos como os corpos da rua.
Cada corpo em seu rumo, sabendo ou não.
Cada coisa em seu lugar devido – e cobrado.

Viver sem direito a bônus pode ser um prêmio.
Em qual destes corpos oculto o vale-brinde?
Somos cavaleiros de cavalos que morreram.
Mas só abrir os olhos não adianta.

Munimos-nos de câmera para errar o alvo na mosca.
Chamamos a rádio-patrulha para acalentar um crime.
O som da chuva às vezes me acorda, às vezes me mina.

Estará errado o som ou o sonho?
Derrapagens na noite são solitárias como esfinges;
o vento vem procurar meus pés na cama.

E assim como uma sirene pode trazer no bico um bebê,
doce, todo caminhão de gás anuncia um incêndio.

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