Daqui vigio o trabalho do relógio
Atravesso regiões inóspitas ou belas.
Com deus e diabo me dou.
[As mãos, figuradas por donzelas;
das asas, bem pouco ficou.]
Meu cavalo morde flores amarelas
e lembro quando nu alguém me contemplou:
fui forte, às caravelas.
Mas agora a rota sigo raro, rente, sem agouros.
Nada me pode deter ou deixar seqüelas;
não olho atrás ou à frente; o tempo parou.
[E flui ainda, vento que descabela.]
Como puro desespero, me rôo.
Minha vida – plena, eterna janela.
Já fui. Sobrou-me, nos olhos, só o vôo.
Março 10, 2009 às 9:01 pm
oiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii