Aquém do Aqueronte


As torres da Paulista piscam
suas cores contra o céu escuro:
suas cores de antena,
suas cores sem perfume.

Todos os dias me ajoelho
e volto meu pensar às torres
numa sagração à ironia,
numa sagração ao tombo

que prenuncia todo alto:
se minhas veias são avenidas
e se de asfalto é minha pele,
são as torres meu doce abismo.

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